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Da jararaca ao jaborandi: medicamentos inspirados na natureza que mudaram a medicina

21 de set.
3 min de leitura

Atualizado: 28 de set.

Quando pensamos no desenvolvimento de medicamentos, é comum imaginarmos laboratórios equipados com tecnologia de ponta. Mas muitos dos fármacos que fazem parte da medicina moderna nasceram num cenário diferente: na natureza.


Plantas, fungos, bactérias, animais marinhos e até serpentes produzem moléculas capazes de interagir com outros organismos. Ao longo das últimas décadas, pesquisadores aprenderam a identificar essas substâncias, compreender como elas atuam e utilizá-las como ponto de partida no desenvolvimento de medicamentos que hoje ajudam milhões de pessoas em todo o mundo.


A biodiversidade brasileira, uma das mais ricas do planeta, também é protagonista dessa história. Diversas pesquisas desenvolvidas no país investigam novos compostos naturais com potencial para aplicações em saúde, agricultura e biotecnologia. Algumas dessas moléculas já deram origem a medicamentos e outras podem representar a próxima geração de tratamentos. Veja só:


Pilocarpina: da biodiversidade brasileira para a medicina 


O jaborandi (Pilocarpus microphyllus), planta nativa do Norte e Nordeste do Brasil, é a principal fonte natural de pilocarpina. Essa substância é utilizada no tratamento do glaucoma, doença que pode danificar o nervo óptico e levar à perda da visão, e também para estimular a produção de saliva em pacientes com boca seca, como aqueles submetidos à radioterapia. A história da pilocarpina também mostra a importância do uso sustentável da biodiversidade brasileira. O manejo adequado do jaborandi contribuiu para conciliar a conservação da espécie com o aproveitamento de uma matéria-prima de grande relevância paraa produção farmacêutica.


Captopril: inspirado no veneno de uma jararaca


Pouca gente sabe, mas um dos medicamentos mais utilizados para tratar a hipertensão arterial tem origem em estudos da década de 60 sobre o veneno da jararaca da espécie Bothrops jararaca, nativa do Brasil.


Pesquisadores identificaram no veneno moléculas capazes de interferir nos mecanismos de regulação da pressão arterial. Esse conhecimento inspirou o desenvolvimento do captopril, considerado um marco na farmacologia cardiovascular. Depois dele, foram desenvolvidos medicamentos da mesma classe como o enalapril, que tem ação mais longa no organismo. O medicamento não contém o veneno da serpente, mas foi desenvolvido a partir do entendimento de como aquelas moléculas atuavam no organismo humano.


Foto de comprimidos coloridos

Curare: do conhecimento tradicional aos centros cirúrgicos


Muito antes da medicina moderna, povos indígenas da Amazônia utilizavam o curare, uma preparação obtida a partir de diferentes plantas da floresta, para envenenar flechas de caça. Ao estudar seus componentes, cientistas descobriram substâncias capazes de bloquear a comunicação entre nervos e músculos.


Esse conhecimento levou ao desenvolvimento de relaxantes musculares utilizados em anestesias, fundamentais para a realização de cirurgias mais seguras. O curare é um grande exemplo de como os saberes tradicionais e a biodiversidade podem inspirar importantes avanços na medicina.


Acheflan: um fitoterápico desenvolvido a partir da biodiversidade brasileira


O Acheflan é um fitoterápico, ou seja, um medicamento produzido a partir de plantas medicinais. Ele é um dos exemplos mais conhecidos de um medicamento desenvolvido a partir de uma planta nativa brasileira. Produzido com o óleo essencial da erva-baleeira (Varronia curassavica), ele é indicado para o tratamento de dores e inflamações musculares e articulares. Seu desenvolvimento foi resultado de anos de pesquisas realizadas por universidades brasileiras em parceria com a indústria farmacêutica.


Foto de placa de petri com mãos com luvas de cientista

Um novo medicamento pode surgir a partir das pesquisas do INCT-Nature?


O INCT-Nature reúne pesquisadores de diferentes áreas para investigar o potencial biotecnológico da biodiversidade brasileira de forma ética, sustentável e alinhada à conservação dos ecossistemas. Os pesquisadores estudam microrganismos marinhos, fungos, bactérias e plantas em busca de moléculas capazes de inspirar novos medicamentos para tratamento de doenças como câncer, infecções causadas por bactérias resistentes, doenças inflamatórias e enfermidades negligenciadas.


Ao investir na pesquisa da biodiversidade brasileira, não estamos apenas ampliando o conhecimento científico. Estamos ampliando as oportunidades para desenvolver novos medicamentos, gerar inovação, valorizar nossos recursos naturais e construir soluções para os desafios de saúde do futuro. 


Revisão:

Ana Beatriz Tuma

Jeamylle Nilin

Amanda Danuello



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Fotos: Canva

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