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Entrevista com Norberto Lopes: como o INCT-Nature transforma a biodiversidade brasileira em inovação e impacto social

2 de set.
4 min de leitura

A biodiversidade brasileira está entre as maiores riquezas naturais do planeta e representa uma fonte de oportunidades para a ciência, a inovação e o desenvolvimento sustentável. Mas transformar esse potencial em conhecimento, soluções e benefícios concretos para a sociedade exige muito mais do que pesquisa de excelência: exige colaboração, visão de longo prazo e compromisso com o impacto social. É justamente por isso que convidamos os próprios pesquisadores a compartilhar suas motivações, desafios e o impacto de suas pesquisas.


Esta é a primeira entrevista de uma série que apresentará os pesquisadores do INCT-Nature e as diferentes áreas que compõem a rede. Conversamos com o Norberto Peporine Lopes, professor da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do INCT-Nature, sobre a trajetória que deu origem ao projeto, os diferenciais da rede, os desafios da pesquisa científica no Brasil e as perspectivas para o futuro. 


Se você quer entender como a pesquisa científica pode gerar impacto dentro e fora dos laboratórios, acompanhe esta entrevista com o professor Norberto Lopes, carinhosamente conhecido como "Betão". Apaixonado pela natureza, ao final da nossa conversa, ele estava justamente percorrendo a travessia do Jalapão.


Foto do professor Norberto Peporine Lopes

O que motivou a criação do INCT-Nature? Como a ideia surgiu?

O INCT-Nature nasceu de anos de trabalho focados na valorização da biodiversidade. Nos últimos dez anos, coordenamos dois projetos temáticos financiados pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) relacionados ao tema e, anteriormente, o primeiro projeto temático (da tríade financiada pela FAPESP) voltado ao estudo do metabolismo de produtos naturais biologicamente ativos, dentro do Programa Biota-FAPESP. Outro ponto importante para o surgimento do INCT-Nature foi a experiência na coordenação da Dimensão de Pesquisa do INCT-if (Inovação Farmacêutica), na qual acompanhamos a integração entre diferentes áreas, em especial a interação entre a equipe que estudava plantas medicinais e pesquisadores das áreas de tecnologia farmacêutica, farmacologia e toxicologia. Com o passar dos anos, e principalmente por meio de intensa colaboração e troca de ideias com a Profa. Dra. Letícia Veras Costa Lotufo (Leca), fomos, juntamente com outros colegas, amadurecendo a ideia de criar esse projeto.


O que torna o INCT-Nature diferente de outros projetos científicos?

Acho que o foco é a composição da equipe. Nos grandes projetos anteriores, como o INCT-if, o tema era mais generalista, e na época isso era o grande ponto positivo, enquanto que agora conseguimos fechar mais foco em termos de objetivos como o número de ensaios farmacológicos. Soma-se a isso termos uma equipe jovem, com experiência, e a inclusão de empresas, startups e ONGs entre os executores, o que cria um ambiente propício para alcançarmos nossos objetivos.


O que mais te entusiasma nas pesquisas do INCT-Nature?

Trabalhar com pesquisadores mais jovens é algo que realmente me motiva. No entanto, é claro que os temas que escolhemos também precisam ter impacto social. Atualmente, os objetivos de transferência de renda e capacitação estão entre os mais importantes nesta fase da minha carreira.


Os técnicos do laboratório do professor Norberto Lopes, seus alunos e dois colaboradores. Foto: Arquivo pessoal.
Os técnicos do laboratório do professor Norberto Lopes, seus alunos e dois colaboradores. Foto: Arquivo pessoal.

Se tudo acontecer da melhor forma possível, quais seriam os grandes resultados que você sonha que o INCT-Nature alcance nos próximos anos?

Sem dúvida, o primeiro grande impacto que almejamos está nas comunidades com as quais trabalhamos. Se conseguirmos auxiliá-las efetivamente a obter um impacto positivo na renda familiar, já poderei me sentir realizado. Contudo, trabalhamos com dinheiro público e, por isso, precisamos também pensar na qualidade dos alunos formados. Espero que eles saiam do INCT com uma consciência clara sobre o impacto da pesquisa para a sociedade. Além disso, é fundamental estimular e acompanhar o desenvolvimento de startups vinculadas ao projeto, bem como produzir pesquisa de excelência e, sempre que possível, publicar artigos em periódicos de grande prestígio, como Nature, PNAS entre outros. Por fim, gostaria de, ao longo desse período, trazer as discussões sobre o DORA (Declaração de São Francisco sobre Avaliação da Pesquisa, uma iniciativa internacional que promove uma forma mais justa e responsável de avaliar a produção científica) para dentro do nosso fórum, pois acredito que, em um futuro próximo, deveremos ter um sistema híbrido. Se tudo correr bem, nosso INCT poderá apresentar resultados significativos nessa direção.


Depois de anos pesquisando a biodiversidade brasileira, o que ainda desperta sua curiosidade científica e te motiva a continuar fazendo pesquisa?

Tudo me estimula. Ainda sinto o mesmo prazer e alegria de compreender a ecologia química que sentia na época do meu doutorado. Além disso, se conseguimos entender a natureza, ajudar a valorizá-la e, ainda por cima, alcançar algum impacto social, isso é uma verdadeira injeção de vida!



Conhecer os pesquisadores é também conhecer o impacto da ciência brasileira. Ao longo desta série de entrevistas, você poderá acompanhar como o INCT-Nature desenvolve pesquisas em biodiversidade, produtos naturais, inovação e desenvolvimento sustentável, sempre com o objetivo de gerar benefícios para a sociedade. 


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